quinta-feira, 11 de agosto de 2011

O Sabor do Néctar

Na tentativa de escrever um conto, que fale do encontro da borboleta com o beija flor, pensei: Borboletas e Beija Flores precisam de néctar para se alimentar, então os dois gostam do dôce. Gostam das cores, então são felizes. Ambos voam, então são livres. Usam a liberdade para se alimentar, respirar, amar... viver. Mas como eu vou escrever uma história de amor entre dois seres tão diferentes? O inseto e a ave? Como assim? Ambos livres, ambos felizes, ambos doces... ambos beijando flores. Decido enfim começar o conto. – Um dia, uma borboleta viu um beijo flor, e falou para todo o jardim que estava diante da imagem mais linda, a mais bela imagem que ja havia visto entre todos os jardins. O beija flor simplesmente a olhou. Ocasionalmente visitavam os mesmos jardins, e ja se cumprimentavam, e simultaneamente se admiravam. – Mas espere, essa idéia de escrever um conto, de criar uma história de amor entre seres de espécieis diferentes, terá um final feliz? Hum... sei não, mas vou continuar – A borboleta observava que a cada encontro o beija flor estava mais bonito, suas cores, seus vôos, tudo mais intenso. Este por sua vez, em sua sutileza, observa que a borboleta continuava igual, com os mesmos tons de cores da primeira vez que a viu. Um dia, o beija flor pediu a borboleta que o deixasse experimentar do néctar que ela trazia em espiral. Ela, achando estranho o pedido, hesitou. Ele a seguiu, e pediu mais uma vez, então ela decidiu compartilhar. Os dois sugam simultaneamente, asas se batem sem alçar vôo. O beija flor, vez ou outra visita a borboleta para beberem juntos do mesmo néctar. Ela guarda sempre o melhor para esse momento. Sabendo ela, que o seu tempo de vida é imensuravelmente menor ao tempo de vida dele, deixa-o livre para que se alimente em outros seres, e ela o espera sem muita pressa. – Esse conto já está indo longe demais, vou tentar resumir para que não vire mais uma história de amor como tantas outras. Pois o meu foco não é prender um ao outro de forma tão convencional, até porque, uma borboleta e um beija flor, não formam um casal convencional. – O beija flor voava sozinho, cada vez mais alto, cada vez mais longe, sempre beijando flores, sempre sugando néctar, sempre lindo, sempre doce. A borboleta cantava baixinho uma música de uma rima só: “voe colibrí, voe, e seja feliz”. Ela, a cada vôo mais cansada, voltava ao seu jardim mais cedo para descansar, para sonhar acordada com o beija flor. E quando ela dormia sonhava com ele também. Um dia, ela acordou sorrindo e pensou: - “que pena, foi só um sonho bom”. – E olhando para o céu, ela falou como se ele a pudesse ouvir – “sonharei quantas vezes você me permitir sonhar”. – Assim, tentando não ferir os personagens, concluo o meu primeiro conto.
Por Deise Vieira

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