Talvez seja essa minha mania de me expor em palavras que ocupa o espaço da mania de querer ser ouvida. Não quero ter a pretensão obsessiva da mania de ser lida, pelo simples fato de ter preguiça de me explicar depois. Essa mania de me explicar eu nunca tive. Tenho mania de cantar, acordo e durmo cantando, no meu tom, sem tom, desafinada, fora do ritmo. Danço fora do ritmo também, eu danço tão mal que posso fazer você desaprender a dançar, só em me ver dançar, mas eu danço mesmo assim. Acho que meu amigo é que está com a razão, ele diz que eu vivo fora do ritmo. Mas é que quando eu canto, o que me encanta são as palavras que saem da minha boca, e nelas eu presto atenção. Quando eu danço, ou tento dançar, eu viajo nas letras e atropelo a melodia, se bem que a depender, às vezes letras me atropelam. E quando eu vivo, bom, quando eu vivo o que me encanta é viver, daí não sobra espaço para mais nada além de viver.
Deise Vieira
terça-feira, 12 de julho de 2011
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