quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Último verão de nós dois


        Já estava terminando o verão, e nós estávamos de folga aquele dia, ele queria ir à praia. Às sete horas em ponto, eu fui acordada com suaves e poucas palavras, um beijo leve, e o Sol entrando em nosso quarto, ele havia erguido a persiana para me mostrar que lindo dia estava lá fora, e que não poderíamos ficar em casa, pois eram os últimos dias de verão. E segundo ele “dia como este talvez não tenhamos mais este ano.” Eu, ainda de olhos fechados, questionava o porquê de ir tão cedo à praia, se tínhamos o dia inteiro, e ele dizia que o tempo poderia mudar e nós perderíamos o dia mais lindo do final daquela estação. Aos poucos ele foi me envolvendo com aquele jeito que só ele tem, e eu fui cedendo ao seu capricho. Mas como o meu despertar é lento, ele não pensou duas vezes e tratou de acelerar o processo de me tirar o sono, de um jeito que só ele sabe... Foi quando tivemos que fechar a persiana.
        Não precisávamos de um termômetro para saber que a temperatura lá dentro naquele momento estava mais alta que lá fora, e que o suor que molhava os nossos corpos naquele instante, era o equivalente ao que eliminávamos em uma partida de frescobol na praia. Depois de algum tempo, não lembro ao certo quanto, mas lembro que foi mais tempo que o habitual, estávamos descansando os nossos corpos debruçados um sobre o outro. E foi naquele instante que por um segundo, um único, mas intenso segundo, ele me olhou com olhar de amor, com olhar de “te quero para sempre”, e aquele olhar naquele espaço mínimo de tempo, imortalizou-se em minha memória, foi como se a minha memória tivesse fotografado aquele olhar. Logo em seguida ouvimos um barulho lá fora, nos entreolhamos e nos perguntamos simultaneamente “chuva?”. Ele foi à janela, ergueu a persiana e nós dois podemos ver que o tempo havia mudado, nos entreolhamos de novo e rimos muito. Depois daquele dia, realmente não vimos mais uma manhã com um Sol tão lindo quanto aquele das sete horas da manhã daquele dia... O verão acabou. Pouco tempo depois, ainda no outono, também não precisávamos de um termômetro para saber que a temperatura em nosso quarto estava mais baixa que lá fora... E o fim da nossa história chegou antes do inverno.

Deise Vieira






4 comentários:

Anônimo disse...

Esse é seu melhor texto até agora.

Deise Vieira disse...

Obrigada ^^

Adbul Hakim Phool ka Junoobi عبد الحكيم پھول کی جنوبی disse...

Pois é, o inverno mata a erva e os amores também...A vida é assim mesmo.
Adorei o rosa do fundo do teu Blogue, e a música de fundo é muito sensível, relaxante...
Abraços do Hakim.

Deise Vieira disse...

Obrigada hakim... beijinho =)

Postar um comentário