sexta-feira, 20 de novembro de 2009


          Entendi que sentir-se feliz é sentir-se em paz consigo... Entendi que sentir-se em paz é encontrar-se... Entendi que para encontrar-se às vezes é preciso a decepção, a dor, a solidão, o silêncio... Às vezes é preciso o grito... Às vezes é preciso um amigo, um abraço, um abrigo de mãe... Às vezes é preciso um risco, um tempo, um passo para trás... Às vezes é preciso mais... A ternura do filho, a busca do sonho, a força do pai.

Deise Vieira

sábado, 31 de outubro de 2009

Eu sabia que era você


Os olhos pararam, o coração bateu mais forte.
O seu sorriso era quase um convite. O meu sorriso...
Era explícito demais... Sim eu vou.
Porque no dia que eu te vi eu sabia que era você.
No toque da minha pele sobre a sua havia contradição,
No instante em que nos aproximávamos, distanciávamo-nos.
Como se tocar você fosse sair de mim.
Porque no dia que eu te toquei eu sabia que era você.
Quando quero encontrar a paz é em ti que eu penso,
Como se toda a minha paz viesse de ti... Sinto saudade.
E ter saudade de ti é ter vontade de nós dois.
Porque no dia que eu te perdi eu sabia que era você.

Deise Vieira

Video feito por mim - buddypoke - Música de Simone - Migalhas

Como todas as músicas de Simone, esta também é muito linda, entretanto a história é triste, sobretudo para quem está vivendo algo semelhante... Como o meu momento atual. Fiz este vídeo para ilustrar.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

José e elas



Essa menina bate bola e não dá bola pra José,
o José está bolado, essa menina já tem uma mulher.
Ela ama simplesmente... Elas se amam intensamente,
e o José olha de lado... Essa menina é mesmo diferente.

Ela customiza as suas roupas, ela é quem corta os seus cabelos,
customiza os costumes, mas não corta os seus desejos.
Essa menina já tem o seu amor e não brinca de esconder,
ela sabe o que quer, é uma menina pertinente, ela faz acontecer.

Ela desenha o seu amor num muro alheio,
um amor assim tão grande vai grafitar o mundo inteiro.
E a sua menina explodindo de paixão ao mundo grita,
que o seu amor além de linda, além de tudo, é artista.

Veja como  isto é super interessante,
são manchetes nas revistas outras histórias semelhantes.
De meninas que se amam, de outra garota que já sabe o que quer,
alguém lê, e se pergunta “e o José?” O José ainda tenta entender essa mulher.

Deise Vieira

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Video com minhas fotos - música de Brandi Carlile - the story

          Hoje eu senti saudade de um tempo bom, então sempre que eu sinto saudade deste tempo, eu vejo um vídeo que eu fiz com fotos minhas e com uma música que me trás boas recordações deste tempo... Daí como eu não havia escrito nada para postar aqui hoje, decidi postar o tal vídeo...


quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Último verão de nós dois


        Já estava terminando o verão, e nós estávamos de folga aquele dia, ele queria ir à praia. Às sete horas em ponto, eu fui acordada com suaves e poucas palavras, um beijo leve, e o Sol entrando em nosso quarto, ele havia erguido a persiana para me mostrar que lindo dia estava lá fora, e que não poderíamos ficar em casa, pois eram os últimos dias de verão. E segundo ele “dia como este talvez não tenhamos mais este ano.” Eu, ainda de olhos fechados, questionava o porquê de ir tão cedo à praia, se tínhamos o dia inteiro, e ele dizia que o tempo poderia mudar e nós perderíamos o dia mais lindo do final daquela estação. Aos poucos ele foi me envolvendo com aquele jeito que só ele tem, e eu fui cedendo ao seu capricho. Mas como o meu despertar é lento, ele não pensou duas vezes e tratou de acelerar o processo de me tirar o sono, de um jeito que só ele sabe... Foi quando tivemos que fechar a persiana.
        Não precisávamos de um termômetro para saber que a temperatura lá dentro naquele momento estava mais alta que lá fora, e que o suor que molhava os nossos corpos naquele instante, era o equivalente ao que eliminávamos em uma partida de frescobol na praia. Depois de algum tempo, não lembro ao certo quanto, mas lembro que foi mais tempo que o habitual, estávamos descansando os nossos corpos debruçados um sobre o outro. E foi naquele instante que por um segundo, um único, mas intenso segundo, ele me olhou com olhar de amor, com olhar de “te quero para sempre”, e aquele olhar naquele espaço mínimo de tempo, imortalizou-se em minha memória, foi como se a minha memória tivesse fotografado aquele olhar. Logo em seguida ouvimos um barulho lá fora, nos entreolhamos e nos perguntamos simultaneamente “chuva?”. Ele foi à janela, ergueu a persiana e nós dois podemos ver que o tempo havia mudado, nos entreolhamos de novo e rimos muito. Depois daquele dia, realmente não vimos mais uma manhã com um Sol tão lindo quanto aquele das sete horas da manhã daquele dia... O verão acabou. Pouco tempo depois, ainda no outono, também não precisávamos de um termômetro para saber que a temperatura em nosso quarto estava mais baixa que lá fora... E o fim da nossa história chegou antes do inverno.

Deise Vieira






segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Sabes que esta carta é para ti


          Faz muito tempo que eu não vou à tua casa, eu sei... Sei também que tu sabes que não há justificativa para tal, e isso me envergonha. Sei também que tu sabes que embora eu não vá à tua casa eu não me esqueci de ti, e isso me conforta.
          Sabes que penso, e quando penso em vós... Sabes o quanto eu vos amo. Conheces a minha gratidão e o meu respeito. Conheces os meus medos e a minha verdade. Sabes que a minha verdade é o reflexo da minha alma. E sabes que não há inverdade em mim. Mas eu sei, e tu sabes que há mutações em meu ser, algumas vezes impróprias, próprias do ser humano que sou, mas sei que ainda não é o bastante para justificar a minha ausência em tua morada.
          Sou consciente de que deixastes a porta aberta para que eu seguisse o meu caminho, mas que também deixastes a mesma porta aberta para eu saber que existe a hora de voltar. Como também sou consciente de que não me queres por obrigação, e sim porque me amas e queres a minha devoção.
          Sei que sabes, mas mesmo assim quero dizer-te que, embora eu não tenha ido visitar-te com freqüência, eu não esqueci o caminho da tua casa. Peço-lhe que na minha próxima, mesmo que longínqua visita, tu me aconchegues em teus braços, e enquanto neles eu descanso, tu me contes a minha própria história, para que eu reflita sobre os meus erros perante a ti, para que quando o arrependimento chegar ao meu coração, eu esteja diante de ti para pedir o teu perdão. E quando tu me perdoares, pedirei a tua benção, e sairei pela mesma porta que sei que sempre estará aberta a esperar por mim. Pois sei que a tua morada é também a minha.
Deise Vieira

sábado, 3 de outubro de 2009

Depois...


Depois do homem a mulher
Depois da maçã o pecado
Depois da prece a fé
Depois da concepção o parto
Depois do filho a ternura
Depois do amor a paz
Depois do mal a cura
Depois do menino o rapaz
Depois da causa a conseqüência
Depois da despedida a saudade
Depois da infância a adolescência
Depois do sonho a realidade
Depois do sexo o calor
Depois do sorvete a sede
Depois do aroma o sabor
Depois da praia a rede
Depois do almoço o cochilo
Depois do café o cigarro
Depois da flor o sorriso
Depois do espetáculo o aplauso
Depois da chegada a partida
Depois da vida a morte
Depois da morte outra vida
Depois da aposta a sorte
Depois da vitória a emoção
Depois do feijão o arroz
Depois da conquista a paixão
Depois do agora o depois.

Deise Vieira
Imagem em anexo por Débora Luteijn

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Príncipe desencantado


Não quero mais príncipe encantado, cansei de beijar sapos,
parei com o cavalo branco, cair do cavalo alado.
Não tenho mais idade para esperar por cem anos o beijo despertador,
as fadas que me desculpem, vou usar o plano “B” para encontrar um amor.

O plano “B” é encontrar o homem já transformado,
pode até ser um príncipe, só não pode é ser encantado.
Os tais encantados na verdade são sapos, só estão encantados,
de um encanto que quebra fácil, o que eu quero agora é um príncipe desencantado.

Desencantado é pré-requisito para não virar abóbora no final,
ter saído dos contos de fadas para viver uma história real.
Que não tenha deixado migalhas no caminho para não atrair bruxas,
que quando me olhar nos olhos eu sinta que acabaram-se as buscas.

Que não me prometa o céu, o mar, a lua, ou o sol com porções mágicas,
cansei de ser negaceada, Cansei de contos de fadas.
A experiência é um detector de precisão que dispensa varinha de condão,
com o príncipe desencantado eu viverei um amor de fato, e não uma ilusão.

Deise Vieira

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Dia sem cor


                                                   

          E um dia você fecha-se em si, fazendo o caminho inverso de uma flor, protege-se numa casca tal qual um caracol, entrelaça-se em interrogações, e rende-se aos vícios como num pedido de socorro para enfrentar as respostas. Sua mente entorpecida emite sinais que desordenam os seus sentidos, anoitece em seu mundo, e o seu corpo cede ao cansaço. Sem noção de hora e espaço, os seus sentidos ainda desordenados estão de sobreaviso, a sua mente emitirá novos sinais, seus olhos abrem-se, e eis um novo dia em seu velho mundo. Um misto de sensações visita-lhe no primeiro instante. No segundo instante a imagem refletida no espelho do seu quarto mostra que há muita coisa fora de lugar, e a realidade avisa-lhe em chamadas não atendidas que é hora de acordar.

Deise Vieira